Palavras-chave: cultura; desenvolvimento local; potencialidades, abandono.
A coleta de dados e o estudo sobre a economia da cultura se fazem urgente. Estamos desperdiçando grandes oportunidades de desenvolvimento local. Os governos em todas as instâncias (federal, estadual e municipal) não dão a importância devida ao setor. Historicamente o Brasil não desenvolveu uma política pública consistente e resumiu a esporádicas ações, tendo maior ênfase nos períodos ditatoriais, visando instrumentalizar a cultura, domesticar seu caráter crítico; submetê-la aos interesses autoritários, buscar sua utilização como fator de legitimação das ditaduras e, por vezes, como meio para a conformação de um imaginário de nacionalidade.
Há um esforço hoje do Ministério da Cultura em iniciar um processo de organização através do Plano Nacional de Cultura e de parcerias com diversas instituições. Através do IBGE em 2004, obtivemos os primeiros dados sobre o setor. A pesquisa mais recente revelou números expressivos: as 320 mil empresas do setor geram 1,6 milhão de empregos formais e representam 5,7% das empresas do país. A cultura é o setor que melhor remunera – sua média salarial é 47% maior que a média nacional.
A economia da cultura que envolve produção, circulação e consumo de produtos e serviços culturais, já respondem por 7% do PIB Mundial. Os produtos culturais são o principal item de exportação dos Estados Unidos e representam 8% do PIB da Inglaterra.
Em meu trabalho desenvolvido no setor cultural do Sesc Rio localizado no bairro de Madureira pude perceber a grande potencialidade cultural do bairro que poderia ser imensamente desenvolvido pelo turismo. O bairro dispõe de duas grandes escolas de samba tradicionais: Portela e Império Serrano; mantém viva a tradição do Jongo no Morro da Serrinha, pagode da Tia Doca (roda de samba que acontece no quintal da casa da Tia Doca – pastora da Portela, freqüentada pelos grandes compositores e intérpretes de samba); além de reunir cerca de dois mil jovens todos os sábados no tradicional Baile Charme do viaduto Negrão de Lima. Existe ainda o “Mercadão de Madureira”, grande complexo de lojas que é hoje o maior local de venda de artigos religiosos africanos e é responsável pela Festa de Yemanjá que acontece na Praia de Copacabana no dia 29 de dezembro, evento que já entrou para o calendário oficial da Cidade. Sem contar a Grande Carreata que o Império Serrano organiza todos os anos para São Jorge e a Parada Gay, que reúnem milhares de pessoas .
Como descreve o Guia Madureira e Oswaldo Cruz: “ Em 1937, com eletrificação dos trens suburbanos da Central, inaugurada pessoalmente pelo presidente Vargas, Madureira consagrava-se a "capital do subúrbio" carioca, um destaque merecido que se mantém até hoje não só por sua posição geográfica privilegiada, comércio e transporte abundantes, como por suas tradições culturais”.
Apesar do samba ter ganhado o título de patrimônio Imaterial pelo IPHAN, faltam políticas públicas que ofereçam melhores condições para público e artistas. O músico Marquinhos de Oswaldo Cruz é um grande agitador cultural que organiza o “Pagode do Trem” no Dia Nacional do samba e promove mensalmente a Feira das Yabás, um evento que reúne a culinária típica das escolas de samba, feita pelas pastoras e baianas com atrações musicais na rua.
A CUFA – Central Única das Favelas, ONG criada pelo rapper MV Bill e o produtor cultural Celso Athaíde conseguiu aporte financeiro na iniciativa privada e construiu um centro esportivo e de lazer também embaixo do famoso viaduto Negrão de Lima. Apesar do caráter americanizado já que privilegia o basquete de rua e o rap, o espaço torna-se uma opção de lazer para muitos jovens da região.
Estas iniciativas culturais no bairro acontecem espontaneamente, sem interferência do governo. Apesar de todo potencial cultural, o bairro de Madureira é completamente abandonado pelo poder público. Ruas e calçadas esburacadas, má sinalização, desordem urbana de todo o tipo imperam no bairro.
Um duro golpe contra a região este ano foi a demolição do quartel do exército conhecido como “Forte do Campinho”. O espaço estava desativado fazia alguns anos e a população clamava por um espaço de lazer e cultura, já que se tratava de uma área com espaços físicos que poderiam ser adaptados e por se tratar da última área verde, com diversas espécies de pássaros e árvores nativas (Madureira tem 99,93% de taxa de urbanização), além de ser uma construção histórica. Em negociação com a empreiteira as associações locais conseguiram a promessa que 20% do espaço seria revertido em espaços de cultura e lazer para os moradores, o que não foi ainda concretizado. No caminho inverso o governo do estado anuncia a construção do parque Bossa Nova, um complexo cultural com cinemas, salas de música, teatros no espaço do antigo quartel da polícia no Bairro nobre do Leblon.
A revitalização do bairro é fundamental para o desenvolvimento de suas potencialidades. Somente um trabalho da Secretaria de Cultura em conjunto com outras áreas do governo que envolveria a reforma dos parques e jardins, construção de equipamentos culturais, melhoria no transporte e segurança poderia alavancar o bairro e torná-lo um grande pólo turístico cultural do subúrbio carioca. Neste caso, a participação da cultura no desenvolvimento socioeconômico sustentável, uma das orientações do Plano Nacional de Cultura, é muito importante e de certa forma, já acontece, apesar de todas as dificuldades encontradas. Todas as atividades culturais enumeradas geram emprego e renda.
Outro viés importante é a capacitação dos trabalhadores da cultura, para que o Bairro possa receber os visitantes é importante que tenhamos profissionais qualificados a atendê-los. Em parceria com o Ministério do Trabalho, formar um centro de capacitação para guias locais, estimular o empreendedorismo cultural, a publicação de livros sobre a história do bairro, orientar os compositores com o passo a passo sobre como registrar suas músicas, técnicos de som e luz, entre outras atividades importantes a realização das atividades artísticas e culturais.
Bibliografia
Plano Nacional de Cultura
Guia Madureira e Oswaldo Cruz, coleção Bairros do Rio, publicado pela Editora Fraiha
Há um esforço hoje do Ministério da Cultura em iniciar um processo de organização através do Plano Nacional de Cultura e de parcerias com diversas instituições. Através do IBGE em 2004, obtivemos os primeiros dados sobre o setor. A pesquisa mais recente revelou números expressivos: as 320 mil empresas do setor geram 1,6 milhão de empregos formais e representam 5,7% das empresas do país. A cultura é o setor que melhor remunera – sua média salarial é 47% maior que a média nacional.
A economia da cultura que envolve produção, circulação e consumo de produtos e serviços culturais, já respondem por 7% do PIB Mundial. Os produtos culturais são o principal item de exportação dos Estados Unidos e representam 8% do PIB da Inglaterra.
Em meu trabalho desenvolvido no setor cultural do Sesc Rio localizado no bairro de Madureira pude perceber a grande potencialidade cultural do bairro que poderia ser imensamente desenvolvido pelo turismo. O bairro dispõe de duas grandes escolas de samba tradicionais: Portela e Império Serrano; mantém viva a tradição do Jongo no Morro da Serrinha, pagode da Tia Doca (roda de samba que acontece no quintal da casa da Tia Doca – pastora da Portela, freqüentada pelos grandes compositores e intérpretes de samba); além de reunir cerca de dois mil jovens todos os sábados no tradicional Baile Charme do viaduto Negrão de Lima. Existe ainda o “Mercadão de Madureira”, grande complexo de lojas que é hoje o maior local de venda de artigos religiosos africanos e é responsável pela Festa de Yemanjá que acontece na Praia de Copacabana no dia 29 de dezembro, evento que já entrou para o calendário oficial da Cidade. Sem contar a Grande Carreata que o Império Serrano organiza todos os anos para São Jorge e a Parada Gay, que reúnem milhares de pessoas .
Como descreve o Guia Madureira e Oswaldo Cruz: “ Em 1937, com eletrificação dos trens suburbanos da Central, inaugurada pessoalmente pelo presidente Vargas, Madureira consagrava-se a "capital do subúrbio" carioca, um destaque merecido que se mantém até hoje não só por sua posição geográfica privilegiada, comércio e transporte abundantes, como por suas tradições culturais”.
Apesar do samba ter ganhado o título de patrimônio Imaterial pelo IPHAN, faltam políticas públicas que ofereçam melhores condições para público e artistas. O músico Marquinhos de Oswaldo Cruz é um grande agitador cultural que organiza o “Pagode do Trem” no Dia Nacional do samba e promove mensalmente a Feira das Yabás, um evento que reúne a culinária típica das escolas de samba, feita pelas pastoras e baianas com atrações musicais na rua.
A CUFA – Central Única das Favelas, ONG criada pelo rapper MV Bill e o produtor cultural Celso Athaíde conseguiu aporte financeiro na iniciativa privada e construiu um centro esportivo e de lazer também embaixo do famoso viaduto Negrão de Lima. Apesar do caráter americanizado já que privilegia o basquete de rua e o rap, o espaço torna-se uma opção de lazer para muitos jovens da região.
Estas iniciativas culturais no bairro acontecem espontaneamente, sem interferência do governo. Apesar de todo potencial cultural, o bairro de Madureira é completamente abandonado pelo poder público. Ruas e calçadas esburacadas, má sinalização, desordem urbana de todo o tipo imperam no bairro.
Um duro golpe contra a região este ano foi a demolição do quartel do exército conhecido como “Forte do Campinho”. O espaço estava desativado fazia alguns anos e a população clamava por um espaço de lazer e cultura, já que se tratava de uma área com espaços físicos que poderiam ser adaptados e por se tratar da última área verde, com diversas espécies de pássaros e árvores nativas (Madureira tem 99,93% de taxa de urbanização), além de ser uma construção histórica. Em negociação com a empreiteira as associações locais conseguiram a promessa que 20% do espaço seria revertido em espaços de cultura e lazer para os moradores, o que não foi ainda concretizado. No caminho inverso o governo do estado anuncia a construção do parque Bossa Nova, um complexo cultural com cinemas, salas de música, teatros no espaço do antigo quartel da polícia no Bairro nobre do Leblon.
A revitalização do bairro é fundamental para o desenvolvimento de suas potencialidades. Somente um trabalho da Secretaria de Cultura em conjunto com outras áreas do governo que envolveria a reforma dos parques e jardins, construção de equipamentos culturais, melhoria no transporte e segurança poderia alavancar o bairro e torná-lo um grande pólo turístico cultural do subúrbio carioca. Neste caso, a participação da cultura no desenvolvimento socioeconômico sustentável, uma das orientações do Plano Nacional de Cultura, é muito importante e de certa forma, já acontece, apesar de todas as dificuldades encontradas. Todas as atividades culturais enumeradas geram emprego e renda.
Outro viés importante é a capacitação dos trabalhadores da cultura, para que o Bairro possa receber os visitantes é importante que tenhamos profissionais qualificados a atendê-los. Em parceria com o Ministério do Trabalho, formar um centro de capacitação para guias locais, estimular o empreendedorismo cultural, a publicação de livros sobre a história do bairro, orientar os compositores com o passo a passo sobre como registrar suas músicas, técnicos de som e luz, entre outras atividades importantes a realização das atividades artísticas e culturais.
Bibliografia
Plano Nacional de Cultura
Guia Madureira e Oswaldo Cruz, coleção Bairros do Rio, publicado pela Editora Fraiha